Após um longo dia de trabalho, Fulano, como sempre, decide ir ao bar de sempre. Entra, senta no lugar de sempre, acende seu cigarro de sempre e aguarda enquanto o garçom de sempre apressa-se para atendê-lo.
" - O de sempre, senhor?" - Pergunta o garçom, como sempre e lança-lhe um sorriso forjado, o que consta sempre num script de um graçom.
" - Hoje vou querer um copo de Mim. Com muito gelo!" - Responde o Fulano.
O garçom, como se não houvesse entendido o pedido do cliente, olha-o desconsertado, desconexo, e extasiado e então pergunta, gaguejando:
" - C-c-c-como senhor?!"
" - Quero um copo cheio de Mim, sem nenhuma mistura, para que eu possa sentir todo o sabor e embriagar-me de todo auto amor possível!"
O garçom não pôde atendê-lo pois não conhecia aquela bebida.
quarta-feira, 24 de abril de 2013
segunda-feira, 11 de março de 2013
Confusão
Sabe aquele bom dia que te desejaram? Não verão.
"Aceita?" Não.
Aquelas palavras que você disse. Em vão.
As palavras que você realmente quis dizer. Contam-se nos dedos da mão.
Como você vai ao trabalho? De lotada condução.
E o que você consegue com isso? Uma contusão.
E então você esbarra em alguém. Era um brigão.
E aquele mundarel de gente do outro lado. Virão.
Você entra na rua errada. Contra mão.
Aquilo que você fez por muitos. Por você nunca farão.
A conta não foi paga. Ligarão.
Caminhará em público. Cuidado com o trupicão.
Algo deita sobre seus pés. Um cão.
Algo gela e dispara. Seu coração.
Aquelas músicas que você não gosta de ouvir. Tocarão.
Tudo aquilo que você não quer ouvir. Dirão.
A cabeça? À milhão.
Sabe aquele dia em que você não devia de ter saído da cama? Então...
terça-feira, 5 de março de 2013
Gole de vida, de bebida
De bar em bar, de mesa em mesa,
De paixão em paixão e de tristeza em tristeza.
Assim vivemos a vida que nos foi dada.
Dada para beber e beber para esquecer.
Esquecer daquilo que nos foi tirado.
Bebamos, erramos e vivamos,
as nossas, as vossas e as outras vidas!
Em rodas, não admitimos nosso alcoolismo,
Assim como não admitimos nossas sinas.
Só, acompanhado, aos fins de semana ou todo dia,
Bebamos em prol do amor, da dor e da poesia.
Para que digam, que falem, que se revelem.
Assim, os verdadeiros ficam e os de mentira se expelem.
Já não sei se quero um novo gole de vida.
De paixão em paixão e de tristeza em tristeza.
Assim vivemos a vida que nos foi dada.
Dada para beber e beber para esquecer.
Esquecer daquilo que nos foi tirado.
Bebamos, erramos e vivamos,
as nossas, as vossas e as outras vidas!
Em rodas, não admitimos nosso alcoolismo,
Assim como não admitimos nossas sinas.
Só, acompanhado, aos fins de semana ou todo dia,
Bebamos em prol do amor, da dor e da poesia.
Para que digam, que falem, que se revelem.
Assim, os verdadeiros ficam e os de mentira se expelem.
Já não sei se quero um novo gole de vida.
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
Era
Uma nova era começa.
Não é mais o mesmo, tornou-se mais velho.
Não é mais o velho, tornou-se o mais novo.
Não é mais o mais novo, e sim o novato em tudo isso.
Não se prende mais à tudo isso, tornou-se mais livre.
Não é mais humano, agora é mais poesia.
Morrera por dentro e agora é livre para fazer o que quiser.
Renascera e agora é mais ele e não mais o outrem.
Agora é mais Murilo.
Agora é.
Não é mais o mesmo, tornou-se mais velho.
Não é mais o velho, tornou-se o mais novo.
Não é mais o mais novo, e sim o novato em tudo isso.
Não se prende mais à tudo isso, tornou-se mais livre.
Não é mais humano, agora é mais poesia.
Morrera por dentro e agora é livre para fazer o que quiser.
Renascera e agora é mais ele e não mais o outrem.
Agora é mais Murilo.
Agora é.
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
Motivos
Avisto a vasta imensidão posta à minha frente. A imensidão que escolhi, cheia de possibilidades e coisas a serem conhecidas. Absorvo toda a imagem, que não cabe aos meus pequenos olhos e memória recente, de tão grande ser. O vento passa por todo meu corpo, acariciando cada pedaço de pele exposta, arrepiando cada pêlo na minha cervical, dando-me pausados beijos doces na face. Sinto como se o mundo não me permitisse tomar aquele último passo, ao mesmo tempo em que a exuberante paisagem ansia em me tragar para dentro de si, para que eu faça parte dela. Os raios solares fazem cócegas por onde me tocam, lembrando do calor que um dia, ardeu em mim. Sinto com meus pés desnudos a grama, a terra molhada e os cascalhos que ali se escondiam. Deito ao chão, perdendo umas duas horas olhando para o céu, descobrindo desenhos em suas poucas nuves, que ora apareciam para tapar o sol, ora pareciam com um coelho, cahorro, elefante... Dizem que quando você está preste a morrer, em sua cabeça é exibido um filme de toda a sua vida em poucos instantes, antes que a ceifadora leve sua alma para longe daqueles onde o coração ainda bate. Eu pude ver melhor que isso. Posso considerar quase como "seção especial": tive uma compilação de bons momentos, de memórias boas e calorosas.
Ponho-me de pé. Encaro aquilo que será minha última lembrança. Um golpe de ar leva meu chapéu para longe de mim e eu não tento recuperá-lo, não valerá a pena. "Liberte-o", penso. Ele segue, rodopiando abismo abaixo, até sumir da minha visão. Lanço meus óculos Rayban pretos abaixo, sem esperar ouvir o estalo da queda. Acendo um cigarro e me preparo, tragando devagar, entregando-me. E então, ele pula. Não para a morte.
Redenção, era o que mais precisava. De si mesmo.
Ponho-me de pé. Encaro aquilo que será minha última lembrança. Um golpe de ar leva meu chapéu para longe de mim e eu não tento recuperá-lo, não valerá a pena. "Liberte-o", penso. Ele segue, rodopiando abismo abaixo, até sumir da minha visão. Lanço meus óculos Rayban pretos abaixo, sem esperar ouvir o estalo da queda. Acendo um cigarro e me preparo, tragando devagar, entregando-me. E então, ele pula. Não para a morte.
Redenção, era o que mais precisava. De si mesmo.
sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
Pés descalços
As chuvas torrenciais de dezembro assolavam a região onde morava. Após um cansativo dia de trabalho, haveria um encontro no bar local para confraternização dos seus colegas. Copos de chopp sobre a mesa, talheres, pratos, assuntos e conversas vazias. Com as pernas descansadas em uma cadeira, ele bebia como quem tinha sede, tentando esquecer o que passara há pouco, já que os problemas iam e vinham em sua cabeça, como um filme, que aparecia com o intuito de irritá-lo e lembrá-lo de quem ele era e qual era o seu passado.
No caminho de casa, os céus anunciavam que uma tempestade se aproximava. Relampejos, trovoadas e luzes preenchiam o vasto céu que se estendia sobre sua cidade e uma enorme nuvem negra pairava sobre sua cabeça. As pessoas e os carros passavam rápido por ele, todos com pressa e com a expressão de preocupação em suas faces, todos olhando a todo momento para cima, torcendo para que a chuva não caísse naquele momento, em que estavam na rua desprotegidos. Sentia os primeiros pingos que caíam do céu. Lembrou-se que tinha duas sacolas nos bolsos e que tinha que proteger seus pertences da água que viria, os envolveu com o plástico e desejou que a chuva caísse. Um pensamento rápido veio à mente: "Meus sapatos são novos!". Sobrara uma sacola e essa era a oportunidade de cobrir tudo o que lhe restara.
Um trovão rasgou o céu, abrindo o que parecia ser uma fenda no céu, por onde toda a água descia rapidamente, molhando a cidade e todas as pessoas que ainda estavam na rua. Correria. Pessoas procurando abrigo, tentando não se molhar. Ele caminhava descalço, calmamente entre as ruas, enquanto a água lavava sua alma, levava seu cansaço e louvava sua presença. Cada gota caia suave em seu cabelo negro repuxado para trás e uma sensação de paz e tranquilidade tomava todo seu corpo. As gotas escorriam por seu rosto como lágrimas que caíam ao chorar, mas em seu rosto havia uma expressão contrastante, era alegre e havia um sorriso esticado.
A tempestade havia se esvaído de dentro dele.
No caminho de casa, os céus anunciavam que uma tempestade se aproximava. Relampejos, trovoadas e luzes preenchiam o vasto céu que se estendia sobre sua cidade e uma enorme nuvem negra pairava sobre sua cabeça. As pessoas e os carros passavam rápido por ele, todos com pressa e com a expressão de preocupação em suas faces, todos olhando a todo momento para cima, torcendo para que a chuva não caísse naquele momento, em que estavam na rua desprotegidos. Sentia os primeiros pingos que caíam do céu. Lembrou-se que tinha duas sacolas nos bolsos e que tinha que proteger seus pertences da água que viria, os envolveu com o plástico e desejou que a chuva caísse. Um pensamento rápido veio à mente: "Meus sapatos são novos!". Sobrara uma sacola e essa era a oportunidade de cobrir tudo o que lhe restara.
Um trovão rasgou o céu, abrindo o que parecia ser uma fenda no céu, por onde toda a água descia rapidamente, molhando a cidade e todas as pessoas que ainda estavam na rua. Correria. Pessoas procurando abrigo, tentando não se molhar. Ele caminhava descalço, calmamente entre as ruas, enquanto a água lavava sua alma, levava seu cansaço e louvava sua presença. Cada gota caia suave em seu cabelo negro repuxado para trás e uma sensação de paz e tranquilidade tomava todo seu corpo. As gotas escorriam por seu rosto como lágrimas que caíam ao chorar, mas em seu rosto havia uma expressão contrastante, era alegre e havia um sorriso esticado.
A tempestade havia se esvaído de dentro dele.
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
5 contra 1
Cinco mais um, seis.
Seis períodos, cinco indivíduos, quatro aprendizados, três para um lado, dois para outro e um sentimento: indiferença.
O tempo prova, afasta, une e desune. Ora nos sentimos só, ora nos sentimentos parte de alguém, ora queremos que tudo suma mas que também, respeitem o nosso espaço quando estão por perto.
Seis mais seis, doze. Mais um, treze. Data que julgavam especial, que seja! Para mim, quando estávamos juntos, independente da data, era especial, pois era único, raro e sincero.
Treze menos três, dez. Divido por cinco, dois. Menos dois, zero.
Senti frio, desrespeito e solidão. Digamos que experimentei, em um pedaço de pizza, até a depressão. Senti-me perdido por algumas semanas, não sabia para onde e quem correr, já que ali, era onde eu encontrava meu porto seguro. Fui contra meus próprios valores e dizeres, fiz por vocês o que nunca vi ninguém fazer por prazeres.
Zero não soma nem subtrai, logo o número que mais me interessa por este momento é o um. Aprendi a colocar-me em primeiro lugar e pensar mais em mim, sem desejar saber a opinião do outro.
O futuro? Esse ninguém sabe, mas como ouvi: "não tenho que correr atrás". Já foi a hora de me perguntar "como seria o meu futuro sem eles?" mas a pergunta mais correta a ser feita é: "como será o futuro deles sem mim?"
Seis períodos, cinco indivíduos, quatro aprendizados, três para um lado, dois para outro e um sentimento: indiferença.
O tempo prova, afasta, une e desune. Ora nos sentimos só, ora nos sentimentos parte de alguém, ora queremos que tudo suma mas que também, respeitem o nosso espaço quando estão por perto.
Seis mais seis, doze. Mais um, treze. Data que julgavam especial, que seja! Para mim, quando estávamos juntos, independente da data, era especial, pois era único, raro e sincero.
Treze menos três, dez. Divido por cinco, dois. Menos dois, zero.
Senti frio, desrespeito e solidão. Digamos que experimentei, em um pedaço de pizza, até a depressão. Senti-me perdido por algumas semanas, não sabia para onde e quem correr, já que ali, era onde eu encontrava meu porto seguro. Fui contra meus próprios valores e dizeres, fiz por vocês o que nunca vi ninguém fazer por prazeres.
Zero não soma nem subtrai, logo o número que mais me interessa por este momento é o um. Aprendi a colocar-me em primeiro lugar e pensar mais em mim, sem desejar saber a opinião do outro.
O futuro? Esse ninguém sabe, mas como ouvi: "não tenho que correr atrás". Já foi a hora de me perguntar "como seria o meu futuro sem eles?" mas a pergunta mais correta a ser feita é: "como será o futuro deles sem mim?"
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